Editora: Jambô | Páginas: 416 | Livro nacional | Série: O Caçador de Apóstolos | Volume: #1
Haverá dois soldados. Um de Deus e um do diabo.
Foi o que disse a segunda profecia. A primeira falou da corrupção da Voz de Urag, da época em que a líder da Igreja trairia seu povo e faria a guerra contra os cardeais. As profecias avisaram sobre a Voz de Urag, a Voz de Deus, tornada maligna, uma serva do inferno. O surgimento de dois heróis para derrubá-la. E a queda de um deles, revelado como o Soldado do Diabo.
Mas e se for tudo mentira?
Esse foi o primeiro livro que recebi da editora parceira do blog, a Jambô. E não esperava algo tão magnífico.
O meu interesse nesse livro era grande, tinha acabado de conhecer o trabalho da editora e a sinopse do livro me chamou a atenção, principalmente a primeira linha.
O Caçador de Apóstolos escrito por Leonel Caldela é narrado pelo escritor Iago. O livro tem seus fatos expostos por Iago, mas assim como é dito pelo escritor várias vezes: nem tudo é verdade.
Aqui entramos em um mundo dominado pela religião, pela Igreja.
“Contar a história que não é minha, é do meu protagonista. Não um herói montado de imaginações, um homem; o melhor homem que conheci. Meu melhor amigo, o homem que queria me matar.” p.11
E o protagonista dessa história é Atreu (um nome bem apropriado para seu papel). A Igreja comanda o mundo e dentro da Igreja existe a Voz de Urag. A pessoa capaz de ouvir Urag, ouvir Deus.
Ou será tudo mentira?
“Nada no céu” p.28
Atreu tem um objetivo: lutar ao lado dos rebeldes, os infiéis, contra a Igreja. Que no passado acabou com muitas coisas.
No meio de tudo isso está Jocasta, uma mulher de uma aldeia pobre.
“Urag odeia você.” p.36
Jocasta passa por muitas coisas, uma pior do que a outra. Presencia milagres e junto com os fiéis, parte com uma falsa Voz. Em sua jornada -“espiritual”- Jocasta acaba conhecendo Benedict, o “melhor amigo” de Atreu.
De um lado os infiéis e do outro os fiéis. Um livro de fantasia onde muito parece real, desde o linguajar aos personagens.
Um mundo onde não sabemos realmente em quem confiar, pois muito ali pode ter sido "inventado" pelo escritor Iago, em todos os cantos da história, seja ela a parte de Atreu, Jocasta ou até mesmo Iago, existe um questionamento: Urag - Deus - realmente existe?
O livro é um dos melhores que li esse ano (até agora), simplesmente não conseguia parar de ler (parava apenas por obrigação). Nessa história magnífica qualquer um pode mudar de lado a qualquer hora.
Leonel Caldela narrou uma história através de um escritor e com isso deixou a história bem empolgante e envolvente. Nunca havia lido algo desse tipo, tão impactante, mas o que mais me surpreendeu foi a última linha, a última fala do livro. Não esperava algo assim, não tenho nem palavras para descrever. O livro é digno de uma adaptação cinematográfica, ou melhor: uma série, pois nos filmes sempre falta muito.
Para terminar e não soltar spoilers: eu recomendo esse livro (e muito), principalmente para aqueles que não são muito religiosos (como eu), que estão acostumados com algo mais "pesado" e que adoram uma literatura fantástica polêmica.
O livro continua em “Deus Máquina”.
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